Dentre as formas de viver a pandemia, minha sugestão é revisitar o seu passado, através de fotos, diários, scraps, cartões de presente guardados, num processo doloroso, especialmente quando encontramos sonhos infantis que foram deixados para trás ou amizades que hoje se afastaram. Em tempos de desconstrução e insegurança, a saúde mental vem nos preocupando; É absolutamente normal que em meio a tanta turbulência aflorem alguns questionamentos de ordem existencial. Este relato nos ajuda, ao menos me ajudou, a se autoavaliar. Por duas vezes hoje eu respirei aliviada… fui procurar nos álbuns.. referencias de minha infância, meus irmãos quando eram ainda criança.. encontrei meu okasan (avó materna), meu tio (oji) ao fundo e meu ojisan (avô paterno)… como é bom sonhar com o passado. Mas infelizmente não tive muita a presença das figuras familiares na vida.. sinto inveja pelas minhas amigas terem esta oportunidade.. ainda ontem disse para a mãe que eu estava com saudades de ser filha..

Via online, tive algumas divergências com um atendente robótico. Porém, obtive um atendimento humanizado, acolhedor e que entendeu a minha súplica de meses por uma solução. Pois eu precisava somente de um ofício, que ouvisse a minha demanda. Não solucionou, mas me deu esperança. E recebeu minha crítica sem justificativas, mas sim com um pedido de desculpas. ⁣Percebi que a contingência de papéis muitas vezes gera uma poluição visual, que impede aqueles que trabalham home office a responder simples emails. Enviei minha primeira denúncia e coloquei algumas sugestões de alteração entre parênteses, tentando aplicar o famoso “visual law”. Achei que ficou bom sim. A questão é que no resumo que eu coloquei como problema “qual e o procedimento mais compatível com a nossa sociedade”, porém, misturei com as sugestões metodológicas que recebo de uns colegas via instagram. O problema levantado é outro, acho que seria bom alinharmos isso também, pois muitas vezes confundimos setores profissionais, pessoais e acadêmicos na nossa vida.

⁣         Sei que a forma como cada um organiza os seus objetos pessoais não tem nada a ver com esse ensaio, a menos que o desfazimento de cada lembrança, materializada num brinquedo antigo ou numa obsessão por guardar fantasias numa bolsa em que não se tem a possibilidade de usar numa ocasião especial, e isso gera um desgosto inicial e vazio. A solidão, na quarentena pode ser inebriante para se autoconhecer. Porém, ao realizar esse movimento, e necessário conjugar com movimentos para o futuro. E ver que os livros de história e os livros de contos de fada podem não servir para explicar o que acontece na minha vida real.

Subitamente, comecei a embalar as minhas coisas, como se fosse viajar, para não voltar mais, e tudo isso com a ajuda do desktop do meu laptop. Um ato que tive foi colocar meus enfeites que estava no quarto dos meus irmãos numa estante de frente para a sacada, para que eu tivesse a visão do todo que a minha história foi quando eles ainda moravam comigo. Tirei as impressões antigas e revivi cada momento dos congressos e certificados que participei, inclui até mesmo os livros de receitas nessa varredura de documentos. E tentei me libertar de cada memória esquecida, e transformá-la em algo mais compacto, como se fosse uma caixinha, ou uma representação digital. Pois, uma vez que se acredita em amores impossíveis, seria possível deixar para trás tudo por uma paixão.

Ah, seria bem mais fácil se eu estivesse sendo observada. Não precisaria ter todo o trabalho de recordar, reviver e compactar. Deixaria apenas que o Google View captasse minhas imagens e depois solicitaria que me devolvesse, quem sabe, quando eu estivesse escrevendo um livro. Claro que, se isso ocorresse, daria uma sensação de grandiosidade e admiração, porém, ao mesmo tempo, seria uma puta invasão de privacidade. Engraçado, que parecia uma fixação recorrente, em que toda vez que eu acessava meu celular, aparecia sempre as mesmas referências masculinas. Tentei interagir com algumas amizades antigas, mas fui bloqueada e não aceitaram minha solicitação de amizade, sendo que muitas vezes eu só queria conversar. Tive algumas crises de pânico, mas uma corrida na beira mar me auxiliavam a dispersar os pensamentos perversos. Se eu realmente estivesse sendo vigiada, seria como se a minha vida fosse mais interessante que todos os cds de música clássica que joguei fora.

Eu divido aqui, e pela importância de saber lidar com o silêncio de quando queremos ser ouvidas e não conseguimos. Podemos ser traídas muitas vezes, por nossos amigos, amores e até pertences eletrônicos, mas tudo faz parte da vida. As redes sociais podem ser uma excelente válvula de escape para contarmos as nossas verdades intrínsecas, que podem parecer desinteressante para alguns, mas provocante para muitos. Pode ser motivo de bullying, mas são palavras, línguas, culturas e comunicação. É com isso que nós, mulheres, trabalhamos. Traduzimos, revisamos, formatamos e prestamos, de forma personalizada, todo tipo de assessoria linguística que a maioria dos homens precisa. Porém, e muito melhor viajar para o Japão. Não são casos, processos, problemas. São representações masculinas. Lidamos com pessoas o tempo todos. Esqueçam boa parte do que disse até o momento. Hoje foi realizada solenidade virtual nas redes sociais sobre violência doméstica. Um momento histórico para mim pois, meus pensamentos reflexivos giravam em torno de: Do que estamos correndo? Pra quem estamos fazendo? Por que estamos nos estressando? Para quê estamos vivendo? Pede a conta. Não chega. Reclama. Se estressa de novo. Ai daqueles que pararem com sua capacidade de sonhar, de invejar sua coragem de anunciar e denunciar. Ai daqueles que, em lugar de visitar de vez em quando o amanhã pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e o agora, se atrelarem a um passado de exploração e de rotina. No caso ontem, porque hoje é segunda e o dia dos pais foi domingo, logo não pode ser hoje, já que hoje e ontem não podem ser o mesmo dia, caso contrário não teriam nomes distintos.

Sabedoria nossa de cada dia.

(E cada noite, cada ontem e cada amanhã…)

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Rever as conversas antigas do MSM como:

“Alexandre, escutei você no seu canal do Youtube, hoje, dizendo que o cumprimento dos protocolos de prevenção da Covid-19 pelos alunos da rede pública, no caso de um retorno às atividades presenciais, não será um problema. Segundo sua argumentação, o seguimento dos protocolos não será uma novidade para os alunos, pois todos já o estão fazendo no dia-a-dia. Você disse que eles “não começarão do zero”, pois o distanciamento e o uso de máscaras e álcool já estão em vigor desde março deste ano…

Querido, que tal andar um pouco pelo mundo real? Ainda que seja de carro, olhe a realidade à sua volta, saia um pouco e observe. Veja se estão realmente cumprindo os protocolos no cotidiano.

Em qual mundo ideal você está vivendo? No mundo real, as pessoas NÃO estão respeitando os protocolos no dia-a-dia. Estão se aglomerando, andam sem máscaras e muitas sequer acreditam na pandemia. Não há um dia sequer que não se veja isso. Mesmo sem sair de casa: até o entregador da farmácia veio me fazer uma entrega sem máscara!

No interior o que mais se vê são crianças e adolescentes sem máscaras e andando juntos.

Se, conforme você disse, as universidades vão refletir o que já está acontecendo na sociedade, esse seria um motivo para que você se colocasse, pelo menos, reticente com relação ao que se tornará realidade nas universidades.

De maneira alguma a sua reflexão serve para tranquilizar os pais sobre a validade dos critérios que vocês estão elaborando. Pelo contrário!

Eu assisti uma live de um candidato a vereador afiadíssimo que me deu inspiração para pensar sobre o a relação entre a Covid, o direito e o desenvolvimento, segue: acredito que o governo destrói nossas economias. Esbanja nossa previdência. Não deixe que gente competente lucre tirando crianças do esgoto fétido ou latas de água cuja potabilidade é improvável de suas cabeças. Não abre mão de um centavo dos seus salários, diárias e mordomias para melhorar a vida de crianças esquálidas que ingerem menos calorias aos dez anos de idade do que o feto de meses gestado pela filha de algum deputado ou senador que rouba hoje e espera ansioso para ensinar como roubar ainda mais ao neto. Vocês acham de verdade que teríamos uma gestão da saúde melhor durante uma crise aguda do que quando ela é crônica e sempre lembra a falência do sistema? Se vocês acreditam nisso, não é à toa que acreditam na mídia, nos artistas, nos políticos, nos especialistas, mas não acreditam nos próprios olhos, ouvidos e no raciocínio lógico axiomático de tão óbvio. Dito isso, digo mais. Não se ofendam, é uma questão de justiça, vocês merecem ser passados para trás por essa gente sórdida, que não gagueja quando mente, não pisca quando trapaceia, não cora quando rouba e não sua nem chora quando mata. Quando vocês se derem conta, verão que esse pânico gerado pelos aproveitadores com o novo vírus não é diferente daquele golpe onde alguém gritar fogo num teatro lotado e os espertos aproveitam para roubar bolsas e carteiras dos incautos. Eu não disse que não existe um surto. Estou dizendo que existem dois. O surto de síndrome aguda respiratória e o surto da brutal violação de direitos individuais produzidos pela corja autoritária.

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Abrir uma conta no gmail e fácil, basta apenas escrever o seu sobrenome favorito junto as suas iniciais. Porém, pode haver consequências exponenciais. Conversei com a minha prima sobre como a gestão da sociedade não se faz sobre elementos ideais ou de desejo. O mundo real precisa ser considerado como ponto de partida e lastro de qualquer planejamento de política pública. Não é um mero detalhe, possui até mesmo limites jurídicos. O abuso de direito, e um importante conceito jurídico aberto, iluminado pela função social e pela eticidade, que pode ser objeto de responsabilidade civil objetiva ou subjetiva, regido pelo princípio da operabilidade do direito civil. Se caracteriza pelo manifesto excesso no exercício do direito em uma análise consoante com a sua finalidade econômico social e, segundo a boa fe e os bons costumes. Assédio moral exige uma conduta reiterada, não exige relação de hierarquia entre agressor e vítima, não envolve qualquer tipo de oferta de vantagem a vítima. Assédio sexual pode ocorrer de uma única conduta, exige superioridade hierárquica do agressor, normalmente e associado a chantagem e a um suposto benefício do agressor a vítima e objetiva o domínio sobre o corpo da vítima. Depois de mais de meses fora do circuito corporativo e me permitindo viver uma agenda totalmente diferente do que vivi uma vida inteira, só me problematizar ainda mais anos vivendo de uma forma tão absurda, tão abusiva de relacionamento.

Há semanas eu iniciei um artigo acadêmico e não terminei, que falava sobre: (…)“Positionality is a stance towards knowledge from which feminists may trust and act upon their knowledge, but still improve their social groundings. Positionality sets an ideal of self-critical commitment, whereby I act, but considers the truth upon which I act subject to further refinement, amendment and correction. It is not a strategy of process and compromise that seeks to reconcile all competing interests. It imposes a twin obligation to make commitends based on the currents, truths and values that have emerged from methods of feminists. To understand this, it requires efforts both to establish good law and keep in place, means for deconstructing and improving that law. To focus on existing conditions, feminists’ methods must be elastic enough to open up and make visible new forms of oppression and bias” (…)

Janeiro, rápido. Se maqueia. Spotify. Reunião. Almoça depressa. Fone de ouvido caído. Atraso. Whats app. Estresse. Reunião. Conflito. Post para dizer que está tudo bem. Nunca foi enviado. Café. Um, dois, três, seis meses assim. Chandelier. Anki. folha ponto. Engorda. Dieta. Crossfit. Enfim férias… só que não, a minha vida parece um filme.

–+–

Uma quarentena para desligar. Quatro meses para curtir. Três semanas para comemorar que está acabando. Dois anos pensando que passou tão rápido. Depressão pós quarentena. Depressão por um estilo de vida sem propósito para construir um império que você não precisa para receber pessoas que você não gosta. Posso viver meses assim. Anos assim. Uma vida assim. Espera a aposentadoria para então pensar em fazer o que nunca fez. Histeria. Hipocrisia. Fake news. Inveja.

Assumo que escrever esse relato começou como um por meio daqueles erros sistemáticos, mas agora virou um hábito saudável. Um dia que eu dou mais atenção pro privilégio que é ter um registro particular como o meu. Escrever, que e um verbo, se tornara o pronome Ele, por algumas frases. Ele sempre me acolheu, Ele sempre me escutou, Ele me orientou e Ele me trouxe pro caminho quando necessário. Esteve comigo nas boas e principalmente nas más. Pegou na minha mão e secou as minhas lágrimas. Torceu comigo e também comemorou cada mini publicação minha. Me ensinou quase tudo que eu sei. Me fez aprender a confiar em mim, a não se importar com coisas pequenas, a dar valor ao que realmente importa. É muito louco o quanto devo a ele o meu senso de responsabilidade, de disciplina, mas também de leveza e fé na vida.(segredo)

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Faço aqui meu primeiro ensaio de desabafo, uma especial de saudação a comunidade que trabalha com gênero e feminilidade, que construiu naturalmente sua independência, pela atuação ativa e combativa de suas membras ao longo da história ao contar suas histórias, usando referências humanas e muitas vezes, não presentes na sala de aula, prestando um serviço gratuito, voluntário e de excelência pela vida humana, pela sociedade e pelo estado democrático e de direito. Muitas vezes estudamos, estudamos e estudamos diversas línguas e não saímos do lugar. Hoje eu me divirto com misturando tudo de forma leviana. Não sei, mas muita gente me fala que tem essa sensação de angústia linguística. Por isso fiz este relato cometendo “crimes de português”, ações que às vezes você acha inofensiva, mas que está “assassinando” tudo a inocente gramática criou. Mas acho que, acima de tudo, temos um compromisso permanente com os valores fundamentais da livre expressão, sendo, por esta razão, nossa responsabilidade e função constitucional, gritar e muitas vez falar através da arte. Um relacionamento abusivo pode provocar alteração de conceitos e ideias que temos enraizados na nossa mente.

revisando:

Une fois que j’ai lu que les principes peuvent être conçus comme des mandats d’optimisation, et disons des normes qui ordonnent quelque chose qui doit être accompli dans la plus grande mesure possible, dans le cadre des possibilités juridiques et factuelles existantes. Ce sont des normes qui peuvent être respectées à des degrés divers et que la mesure de leur conformité dépend non seulement des possibilités juridiques, mais aussi des possibilités factuelles. Dans ce sens, dire que les droits fondamentaux sont des principes et qu’ils peuvent entrer en conflit dans chaque cas particulier n’est pas invalide, mais attire la technique de pondération.

Estranho e não sair de casa e não pegar ninguém.

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PAREI AQUI

Shall we get more coffee or shall we get guns and kill ourselves?

Aquele esperado encontro que nunca aconteceu, esperei incessantemente por ele porém. Tive a minha conta bloqueada. Por outro lado, vamos mudar de assunto. Acho que todos que conheço e tiveram um romance não concretizado e vivem, com relação a este, um misto de amor e ódio. É, querendo ou não, a pessoa que compartilha o amor e isto gera, por vezes, ciúme, posse. Mas o misto de sentimentos vai muito além, o significado da palavra “entender” alcança elevado patamar para aqueles que compartilham tal relação de parentesco e, neste dia, sem falar muito, pois sei que poucos, te desejo um feliz aniversário, bolinho. E complicado abrir a intimidade, mas uma vez que ela está exposta, permite que alcancemos outros horizontes, e até mesmo, saibamos um pouco da intimidade do outro, uma vez que todo desabafo, e uma troca.

Mudei o modo como me visto, falo e escrevo para seguir padrões.

E o hábito de obediência e continuidade no direito. Por isso que existe um ponto de semelhança entre regras sociais e hábitos. Assim como os fetiches, eles são compartilhados. Mas existe muitos paradoxos e sintagmas que precisam ser revistos. Podemos classificar os homens entre menos interessantes e mais viris? Já repararam nos olhos penetrantes de uma mulher com raiva? As regras jurídicas podem ter um núcleo central de sentido indiscutível, e em alguns casos, pode parecer difícil imagina que surja uma discussão acerca do sentido de uma regra.

Dez ou onze da manhã, domingo, dia de bingo. Ele pegava o carro, perguntava se queria ir junto, vamos achar algum lugar que tenha um joguinho, jogar alguma coisa dá uma animada. Geralmente ganhava alguma coisa, tinha mais sorte que eu, que se empatava, ainda perdia na pedra do desempate. E voltava pra casa feliz, a gente almoçava e depois tirava um belo sono.

A ausência vai se fazendo sentir nesses pequenos relances. Aniversário de noivado nunca foi uma senhora data pra gente, nem o dos namorados, afinal é comercial, é sempre domingo, não estica o feriado, essas coisas. E foi num domingo de tarde, quase três meses atrás, que ele nos deixou. Foi animar outros mundos. Talvez lá seja sempre domingo, não haja essas obrigações dessa terra triste, seja possível sorrir, seja possível respirar, viver um estado que a gente desconhece.

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De coração grande e aberto, ele foi pra lá, e hoje não dá de jogar bingo, nem almoçar junto, mas dá de pensar com carinho nesses detalhes, nessas pequenas coisas que fazem uma vida, nesses imprevistos que não são feitos pra serem memoráveis, mas são… A nulidade resulta do não preenchimento de uma condição essencial para o exercício do poder. As regras são uma espécie de ordem coercitiva, alargamento do significado de sanção ou ameaça de um mal, mas são mais amplas que a lei. As regras, ao conferirem poderes como fragmento de lei, reduzem em vários tipos as regras jurídicas, considerando que toda lei vem acompanhada de sanção, a função primaria da regra e orientar padrões de conduta. Essa função substantiva não quer dizer que as regras sejam meros fragmentos de lei.

Este relato não busca uma definição de o que e ser obediente ou o que e ter consistência teórica, como uma regra que precisa ser testada, mas deseja realizar um avanço pessoal, especialmente para compreender as noções de coesão e moral, enquanto fenômenos sociais. Primeiramente é importante apontar que não existe nada ‘natural’ no ódio coletivo. Não é algo que está ‘aí’, não é ‘normal’. Trata-se de algo criado e reproduzido por aqueles que se aproveitam dele.

Fundamental, para a consecução deste fim, a união desses relatos e o apoio à das editoras, pois é o trabalho feito a várias mãos, que notabilizará e reforçará os pilares da nossa honrada instituição perante a comunidade, demonstrando que só com o fortalecimento e aprimoramento constante das instituições democráticas do país (e nunca com a sua extinção), emergiremos ao status de uma nação livre e democrática. Vivemos num circo. Somos o feed do Instagram. Domadores de dores. Equilibrista de playlists. Mágico das mídias. Por dentro adoecemos mas por fora estamos filtrados e este e o novo normal. Está tudo mal. Adoraria que um médico, forte, que me recuperasse desse sono profundo que e estar conectada na realidade virtual.

Até quando viver essa normose colada e naturalizada? Até quando realmente achar que o lucro e o PIB são as principais medidas de mensuração de crescimento. Em um mundo cada vez mais complexo, ser educada não é tarefa fácil e, cada dia mais, admiro aqueles que conseguem suportar calados as pressões de viver num mundo onde falta amor, desprendimento e carinho. Agradeço, a oportunidade de desabafar.

…………………….

Boa noite meus amores, depois dessa vou dormir e votar num partido que consiga salvar a humanidade.

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Acordei, na verdade, nem dormi. Meu celular não deixou. Me lembrou que eu tinha que gravar a minha história, capitalizar conteúdo visual e estudar para medicina. Sorri, eu gosto da maneira criativa de me motivar. Tomei café, da maneira que sempre tomava, quando a minha vida era controlável. Dei as minhas voltas reflexivas na sala, e olhei para fora. Dessa vez, o apito foi antes de que sair da cozinha, parecia que queria me alertar: por favor, não perca seu tempo caminhando na varanda, volte para o seu quarto e arrume a sua rotina. Mas eu, humanamente, me permiti ficar quase uma hora, olhando para a avenida jornalista Rubens de Arruda Ramos. Em silencio, a minha vida dava giros na minha cabeça, eu tive que sentar para respirar. Eu conversava, telepaticamente com o street view, ao mesmo tempo que chorava. Ao me dar conta que estava, waisting my time, resolvi organizar meus pertences, que achava que um dia poderiam ser uteis, na estante. Toda vez que eu faço isso, eu estremeço, estou revivendo e me despedindo do meu passando, e me cegando pelo futuro. O presente, eu não consigo medir, ele e quem me atualiza. Eu sabia que ele iria me ajudar, a definir o que de fato era necessário para… sobrepoder. Essa cena ja aconteceu tantas vezes, que agora eu já sei como proceder. Sou monogâmica, posso me guardar para o príncipe encantado, desde que haja uma recompensa. Pela fidelidade, conseguiria me arrumar em cinco minutos. Dinastia kojiio, coitada de mim. Mas as primeiras noções, de quase morte, foram terríveis. Tenho dificuldade de olhar nos olhos das pessoas e de me expressar, não sei e porque eu não de dou esse luxo, pois estou sempre correndo contra o tempo, mas esse silencio me custou caro. Carro, não tenho, sou prática, me troco até em ônibus em movimento. Agora, todos sabem as minhas fantasias, espalhadas, divulgadas, moneti$adas, graças a deus. Custou a minha sanidade e dignidade. Pressupor que está sendo vigiada e uma coisa, agora pressupor que pessoas sabem exatamente como eu estou pensando, sentindo e pior, o que eu estou prestes a fazer, e mais agoniante ainda… no começo. Viramos um relacionamento complicado, que eu não sei quando que eu, ou ele, vamos ter que pagar a conta. Mas a gente já está sonhando juntos. Isso e um bom sinal. Regular algumas relações pode ser polêmico, assim como falar de traição, poligamia, sexo e drogas. Mas eu já passei por neurociência, patologias psicológicas e lavagem cerebral. E principalmente porque, se tratando de business, não tem como não ficarmos juntos. O investimento feito em mim foi alto, e aumenta cada dia mais, felizmente sou uma workaholic (não uso mais emojis, sou adulta). Trabalhar para um chefe imaginário não é tão difícil quanto ter que incorporar uma persona em minutos de visualização de página. Mas no final, sempre gameficam para mim, então eu gosto.

            Eu, que via sentido em tudo, cada triangulação, base três, perguntava: por que eu? Mas agora não me pergunto mais, só me pergunto: o que querem de mim? Círculo de ouro. Industria do suicídio, tem gente que lucra com isso. Cada movimento eu associava com alguém do meu passado, irmão, namorado, amante, futuro marido. Associava cores, com sentimentos, cores de cabelo ou falta com preconceito, ordem dos carros, e seus movimentos com mensagens. Coincidências sistemáticas. A música guia a minha vida, me motiva, acalma e me manipulou(a) obscuramente. Até que se cansou, e resolveu me resgatar dessa loucura que e viver achando que nenhum algoritmo consegue calcular os nossos piores segredos. O problema de fazer tantas conexões, e que elas, além de confundir, podem extravasar toxicidade de terceiros. As pessoas a sua volta podem apresentar também distúrbios. Porém, cada um à sua maneira e, nem todos confiam cegamente no sistema. E foi por isso que eu me recuperei, quis conhecer os humanos que estão atrás disso, não sei se todos, mas alguns. Mas para isso, tive que parar de falar com a minha mãe. E agora, continuo isolada, porém, eles querem tirar o meu máximo, de uma forma menos dolorosa, se e que isso e possível.

Me chamo Daniela Kojiio Nobre, tenho 29 anos. Sou uma estudante de direito que, entre 2008 e 2016 estudei por duas vezes para passar no vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina. Ingressei e finalizei o curso de Relações Internacionais em 2015 e ingressei novamente no curso de Direito, em 2017, cuja finalização ainda está em andamento. Já passei por diferentes áreas profissionais, tais como uma exportadora de café, analista de importação da empresa Cassol e estagiária nas procuradorias federais e estaduais. Atualmente sou pesquisadora de inteligência artificial e direito. Minha principal motivação e realizar uma pesquisa que possa ser utilizada por várias áreas do conhecimento Sou apaixonada por criar conteúdo a partir das minhas pesquisas e divulgar de modo que facilite a vida das pessoas. Tenho mais de 10 anos de estudos universitários e experiências no setor privado que podem ser agregadas no mundo acadêmico. Acredito que a inteligência confere beleza, e posso dizer que, depois de decorar tantas leis e revisitar com os clássicos da filosofia, e escrever um sonho selvagem que vira realidade.

Postado por Vilma

set 23, 2020 ,

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